Project 365
Desde o ano passado, notei alguns malucos se comprometendo num projeto fotográfico que consiste em tirar uma foto por dia, durante os 365 dias do ano. O destaque foi Dustin Diaz, que chegou a ser eleito o Best Flickr Photographer de 2009 em votação popular. Ele ainda publicava os setups das fotos (“strobist info“), o que ajudou na fama. Basta procurar por “365” no Flickr (o site do ano de acordo com a revista Time) e encontrará diversos engajados nesta loucura.
Fazer uma foto todo santo dia me parece uma malhação de criatividade onde, quem cumpre, só pode sair mais forte e dono de uma experiência valiosa. Infelizmente não tenho o tempo (ou força de vontade?) pra isso, mas acompanhar alguns destes projetos já gera bons aprendizados.
Este ano, o fotógrafo e professor Zack Arias entrou nessa brincadeira e anda registrando seu “365 project” no endereço dedpxl.com. A composição abaixo é de seu dia/foto #37:
Viva o empirismo!
Easy like sunday morning
Desde o ínicio do ano, ando um pouco ocupado nos finais de semana, viajando para tratar de uns assuntos pessoais… mas neste último domingo, criei vergonha na cara e acordei cedo pra encarar uma escaladinha sob um calor mais ameno. A primeira motivação era o boulder Macumba, meu eterno projeto aqui na Urca. Mas confesso que ao sair na rua às 7 da manhã, ver aquele céu azul e sentir um frescor raro e inacreditável, aquilo me encheu de tesão pra curtir o momento, seja ele uma simples caminhada, um passeio na praça ou ficar subindo pequenos blocos de pedra.
Berlota – algumas capturas de vídeo
Soa meio óbvio, mas reforço a dica: até umas 10:30 a Urca se encontra em condições razoáveis de temperatura e fricção! Não que isso signifique perfeito para o difícil Macumba. Meu consolo ficou por conta do Berlota Joaquina, um problema explosivo (V10) que se resume em uma pinça aberta de esquerda e umas 3 rebotadas meio abrasivas na direita. O brother de nikit Antônio Sérgio “abriu a porteira”, mandando o mesmo, na semana passada… eu aproveitei e passei! :-) No fim, curtir a paz dos boulders na floresta sem pingar de suor valeu o dia.
Não posso deixar de registrar também que finalmente experimentei a ótima Bamberg Rauchbier, cerveja brasileira premiada com a medalha de prata no European Beer Star 2009 na sua categoria (smoked beers). Uma breja deste naipe pode causar estranheza, pois é defumada no aroma e sabor, fumaça no português claro. Perfeita pra acompanhar um charutinho ou um bom churrasco de porco. A bebida foi encontrada no novo Aconchego Carioca, que agora fica em frente ao antigo estabelecimento, em uma casa com ar-condicionado e maior – porém não menos concorrido – espaço.
Boa semana a todos!
Timescapes
Pesquisando um pouco sobre timelapse, encontrei alguns belos exemplos. Tem certas coisas que só acelerando o tempo pra ver. O contrário também é verdadeiro. Com vocês, o movimento das estrelas. E as asas do beija-flor.
Para meus amigos vegetarianos :-)
Li este artigo no Estadão recentemente e gostei. Compartilho abaixo…
E pra compensar, indico aqui o blog vegetariano mais bonito e apetitoso que conheço – veganyumyum.com – que além de belas receitas, tem uma seção que fala bastante sobre fotografia de comida (neste link).
Fernando Reinach*
Vegetais não gemem, estrebucham ou suplicam quando são sacrificados para saciar nossa fome. Isto explica porque muitos que criticam a criação e o abate de animais não têm pruridos em mastigar órgãos sexuais ainda vivos (brócolis), engolir embriões em desenvolvimento (brotos de feijão), deixando para os sucos gástricos a tarefa de matá-los, ou picotar o corpo que ainda respira de diversos vegetais (saladas em geral).
Nossa ilusão de que vegetais não se comunicam e não têm mecanismos sofisticados para resistir à morte se deve ao fato de eles se comunicarem não por sons ou gestos, mas por meio de moléculas químicas, cheiros e hormônios que muitas vezes sinalizam seu desconforto ou tentam repelir ataques. Recentemente foi elucidada a sofisticada comunicação entre uma couve-de-bruxelas, uma borboleta que adora devorar suas folhas e uma vespa que se alimenta das larvas da borboleta.
A couve-de-bruxelas (Brassica oleracea) está feliz tomando sol em seu jardim quando pousa sobre ela uma linda borboleta branca (Pieris brassicae). A borboleta deposita sobre as folhas seus ovos fecundados – uma ameaça para a couve, pois os ovos se transformarão em larvas famintas. No terceiro dia, como por milagre, os ovos são localizados por uma vespa altamente especializada.
Esta vespa (Trichogramma brassicae) injeta seus ovos dentro dos ovos da borboleta. As larvas da vespa se alimentam do conteúdo dos ovos da borboleta, matando-os. O resultado é que a couve se safou. A morte passou perto.
Esse jogo entre a couve, a borboleta e a vespa pode parecer uma simples cadeia alimentar, mas há anos descobriu-se que por trás dele está uma complexa rede de comunicação.
A primeira descoberta é que a vespa é avisada sobre a localização dos ovos da borboleta. Esta comunicação ocorre por meio de um cheiro, uma molécula volátil detectada pela vespa.
Sem entender porque os ovos da borboleta “avisariam” as vespas, os cientistas foram investigar o fenômeno e descobriram que quem emite o cheiro não são os ovos da borboleta, mas a folha de couve.
O sistema é bastante sofisticado: a planta “percebe” que os ovos foram depositados e “espera” dois dias antes de emitir o cheiro que atrai as vespas. Essa espera se deve ao fato de os ovos da borboleta só poderem ser infectados pela vespa após começarem a se desenvolver, o que leva dois dias. A conclusão é que a couve “sabe” que corre risco de ser devorada, mas, sem mãos para remover os ovos, desenvolveu um método para atrair o inimigo de seu inimigo.
ANTIAFRODISÍACO
Mas a história é mais complicada. Agora os cientistas descobriram como a planta “sabe” que a borboleta pôs ovos nas suas folhas. O líquido que envolve os ovos tem uma molécula chamada BC (benzyl cyanide). Ela “comunica” à folha que foi atacada, desencadeando a resposta que atrai as vespas. O interessante é que a borboleta não pode se “disfarçar”, deixando de produzir o BC, porque ele é fabricado pelo macho da borboleta, que injeta o produto na fêmea durante o ato sexual. Mas porque o macho injeta BC nas fêmeas? Este composto é um antiafrodisíaco, usado para avisar outros machos que aquela fêmea já foi fecundada.
Da próxima vez que você mastigar couve-de-bruxelas se lembre que está matando um ser capaz de receber e enviar mensagens, capaz de pedir ajuda quando ameaçado de morte. Bon appétit.
*fernando@reinach.com
Biólogo
Mais informações: Male-derived butterfly anti-aphrodisiac mediates induced indirect plant defense. PNAS, vol.105
Visitas ilustres
Senhoras e senhores, Mr. Léo Medeiros e seu herdeiro Lucca, que queria escalar tudo à sua volta, mas teve que se contentar com esse “lowball” da direita. Aproveito para compartilhar um beta: a cave do Edmundo no Grajaú fica fresquinha nesse calor… quem não estiver aguentando, lá é uma boa pedida.
Boa semana a todos!
What do you do for money!?
Pra quem ainda não viu o novo baterista mais famoso da internet, mandando a mensagem da semana:
http://www.youtube.com/watch?v=2L_dn94Hi1k
E pra suavizar um pouco… saca só essa session chapante, coreana:
Taquaril (vídeo)
Pronto, tá no ar o primeiro video do ano! Maior que o costume (~20min), devido a eu ter explorado um pouco mais o “processo” do que as “cadenas” propriamente ditas. Bem espontãneo e sem ensaios, os registros foram saindo conforme o dia ia acontecendo. Este realismo dificulta um pouco as exposições, pois nenhuma foi feita naquela “hora mágica” do entardecer ou amanhecer, mas sim sob o sol escaldante que presenteou nossas escaladas por lá. Mais detalhes no meu post anterior.














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