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John Gill, o pioneiro

Posted in Escalada by cbrisighello on outubro 25, 2012

Esse aí dispensa apresentações… se nunca ouviu falar deste vovozinho de 75 anos, pule este post.

Aproveito a ocasião “história da escalada/bouldering” para lembrar do interessante sistema de graduação que John Gill propôs nos primórdios (adotado na década passada por Klem Loskot), uma idéia que faz mais sentido para mim do que os sistemas lineares (cheios de inconsistências, polêmicas ou discordâncias) existentes hj em dia e que me encheram o saco este ano, tanto que troquei o venenoso “8a.nu” por um simples caderninho de recordações.

“B1 would denote the highest level of difficulty in traditional roped-climbing, B2 would be a broad category of more difficult or “bouldering level” problems, and B3 would be an objective category signifying climbs that were unrepeated, though attempted. When a B3 was repeated it would drop to a B2 or perhaps even a B1 level.”

“My idea was to promote this new sport by challenging climbers to improve their technical skills to the point they were capable of  ‘bouldering level’ difficulty, but discourage the degeneration of bouldering itself into a numbers-chase. Unfortunately, my system was a bit too abstract and went against the grain of normal competitive structures, where a simple open progression of numbers or letters signifies progress.”

Klem Loskot diz que B1 seria algo no limite, porém passível de controlada repetição; B2 limite máximo e somente repetido em perfeitas condições; B3 são os problemas que passam a sensação de nunca mais conseguir repetí-los. Fácil de medir, não? Sei que realizei no máximo 1 ou 2 boulders B2 este ano. E pelo menos 1 que tentei bastante é claramente um B3.

Este sistema só tinha um “problema”: era à prova de competitividade, sendo assim não colou. Afinal, sem números lineares e comparativos, a mídia deturpada de hj em dia não teria como agitar notícias sobre quem é o melhor ou o primeiro ou o mais difícil do mundo. Pois é, John, infelizmente vivemos hoje o numbers chase que vc não queria para a modalidade que vc inventou.

Teria esse sistema vigorado, a escalada em boulder seria um instrumento de evolução mais sincero e uma prática mais pura ou menos ofuscada pelo ego, que te faz querer contar seus feitos de maior número e te emputece quando uma linha supostamente fácil te derruba. Provavelmente eu não iria me estressar tanto para tentar um boulder em flash. Provavelmente eu não iria fazer uma lista (‘tick list’) baseada em números antes de partir para uma viagem. Provavelmente eu prestaria mais atenção nas centenas de outras coisas importantes além de somente a  obsessão pela última agarra do boulder ou o desejo de botar mais uma linha no bolso. Numerar a dificuldade de uma escalada com “1, 2, 3, 4, 5…” é tão relativo que basear sua progressão pessoal nisto pode ser um engano, às vezes um “engano consciente” articulado pelo ego. E como a escalada é mtas vezes motivada por evolução pessoal, confiá-la neste sistema é uma armadilha que foge bastante dos propósitos mais verdadeiros pelos quais eu escalo. Neste sentido eu recomendo uma leitura deste post do italiano Michele Caminati.

Bottom line: acho perfeita a frase “cada um inventa os seus motivos para escalar” (lapide bem esses motivos! :-)

6 Respostas

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  1. andré várzea said, on outubro 25, 2012 at 3:21 pm

    muito bom o post claudão!
    bem louco essa história neh.. escalar é pessoal! evolução é pessoal! e como você falou.. não faz o menor sentido ficar puto quando uma linha “fácil” nos derruba. se derrubou, não é fácil! não importa o número! taaaanto 6º grau traiçoeiro no grajaú…. se fosse pra ficar chateado a cada um que me derruba, não escalava mais!! hahaha “ficar puto” + escalada não faz muito sentido neh… realmente a frase é perfeita e o teu complemento veio bem a calhar!!!
    “cada um inventa os seus motivos para escalar” (lapide bem esses motivos! :-)
    grande abraço!

    • cbrisighello said, on outubro 26, 2012 at 5:37 pm

      Valeu André… eu mesmo já vi escalador de V12 pastar num V9 e não entender nada, ficando frustrado. Frustração incoerente! Dificuldades precisas se medem em ginástica olímpica, por exemplo. Não nas zilhões de situações que a rocha oferece…

  2. jimnylog said, on outubro 25, 2012 at 6:33 pm

    Na minha opinião é um assunto muito complexo.
    Ficou muito interessante o texto.
    Em uma tentativa de equilibrar um pouco, eu colocaria o lado benéfico com relação a informação que um sistema de graduação “competitivo” proporciona a um escalador que está visitando um pico de escalada em bloco pela primeira vez. Eu gosto de ter uma certa noção de dificuldade de pelo menos alguns problemas do lugar, acho que isso me dá uma idéia do que estou interessado em eleger para começar e/ou terminar a minha brincadeira. Certamente não coloco aqui aquela escalada de caráter explorativo que é feita em picos que ainda não foram “catalogados”.
    forte abraço!

    • cbrisighello said, on outubro 26, 2012 at 10:53 am

      Pois é Ricardo, complexo…

      Talvez uma classificação mais abrangente (por agrupamentos? claramente um sujeito que escala um V3 tem condições de provar de V0 a V5, por exemplo) funcionasse melhor no sentido de atenuar este critério númerico que costuma comandar exclusivamente a escolha de boulders quando se visita um novo local. O cara seria então convidado mais a exercitar outros critérios (mtas vezes mais valiosos) como a beleza da linha, a inclinação ou se o estilo lhe agrada, etc., e somente depois de provar a linha saberá a sua real dificuldade baseado na experiência pessoal e não na equação “resultado de sua performance vs grau proposto”. Mtos medem evolução baseando-se em conquistas de graduação (não nego que em mtas ocasiões o avanço no grau é uma evidência consistente). Mas eu acho mais coerente se basear em sensações de dificuldade mais concretas e independentes de genética (o tal do “encaixe”). Quero dizer: “não consigo sair deste batente para aquela pinça distante” ou “necessito resistência de força” e evoluir mais claramente, baseado nestas avaliações ao invés do “consigo ou não consigo realizar esta proposta de V5”.

      Enfim, vamos escalar :-)

  3. Cesinha said, on outubro 25, 2012 at 10:23 pm

    Excelente! Eu NUNCA entrei no site 8a.nu, roca num é pra isso…

    • cbrisighello said, on outubro 26, 2012 at 11:01 am

      Boa Cesinha… pra mim a melhor maneira ou a menos parcial de se competir ou medir quem foi melhor ou pior é no muro, no indoor, as competições estão aí pra isso. Uma tentativa, mesma via, mesmas condições. Abs!


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