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Medusa – capítulo final

Posted in Escalada by cbrisighello on setembro 3, 2013

Neste último sábado, fui excepcionalmente ao Rubinho desencanado do Medusa. O sol quente, a noite muito mal dormida e o “fardo” que o titiu Belê tirou das minhas costas, me libertaram para curtir férias do projeto e escalar de tudo, for fun e a muerte. E aqui começa a “lição do dia”…

Nos últimos 2 meses de idas ao Rubinho, eu aguardava religiosamente pelo fim de tarde, quando bate sombra no bloco do Medusa.  Executava uma sistemática rotina de aquecimento, às vezes até com as pontas dos dedos esparadrapadas para poupar pele. Escovava cada agarra e marcava as pegas chave. Me concentrava, experimentava diferentes diálogos antes de cada tentativa. A última “técnica” era encarar tudo como um treino, afim de diminuir a ansiedade. Enfim, só faltava estender um tapete, ajoelhar e rezar antes de entrar no boulder.

Nesta última ocasião, com a pouca energia e pele que me restava, resolvi dar um pega somente no crux final, de saideira pois havia feito uma boa bateria de sessions durante o dia. Apenas queria manter a memória muscular fresca, pois claramente as circunstâncias não estavam para mais uma tentativa de baixo no Medusa, seria sofrer à toa. Mais uma vez, isolei com facilidade e, quase “sem querer”, me vi novamente sentado na base do bloco, segurando as agarras iniciais. O descompromisso foi tanto que eu sequer me dei o trabalho de escovar uma única agarra. Abri mão de todo aquele ritual preparatório. Desta vez, pensei uma única coisa: “vou executar cada movimento à minha frente”. Foi muito corriqueiro e quando me dei conta, havia passado o crux (16º movimento) como se estivesse acabado de sair do chão. Estava inconscientemente na zona da cadena, onde mal se sente a gravidade. Isso, sinceramente, é muito Zen, que nem atirar com o arco e flecha vestindo uma venda nos olhos. Mas assumo que não foi proposital, não tive a intenção de não ter intenção. Foram as circunstâncias do dia que me levaram a dar a largada sem pensar no fim. E a consequente leveza foi tanta que ao atingir a borda, não me emocionei como um dia imaginei. Gostaria que a cadena tivesse sido mais chorada, quase caindo. Queria a sensação de estar fazendo a coisa mais difícil da minha vida. Mas não foi assim. Teria eu engrandecido demais o obstáculo?

São pontos interessantes de se analisar e fica aqui compartilhado, para a interpretação livre de todos. Porque apesar de já ter vivido situações parecidas em 13 anos de escalada, confesso que continuo aprendendo e me surpreendendo, principalmente com a crucial e muitas vezes ilógica parte mental.

Como não poderia faltar, a seção de agradecimentos: não vou citar nomes pois a lista é grande. Todos os que dividiram as sessions comigo, todos os que ajudaram com o setor Rubinho, todos os parceiros de sempre, incluindo aqueles que mandaram a vibe mesmo à distância. You know who you are! O único nome a mencionar é o da patroa Yuri, claro, parceira incondicional de todas as roubadas…

Com esse lenga-lenga, encerro meu “diário de projeto” e espero que aproveitem pois voltarei a enrustir meus climbs sem me expor publicamente assim. Então esta foi a sua chance de descobrir o que se passa na cabeça de um escalador ordinário. Mas vale reforçar: independente de grau, a escalada é um instrumento precioso cujas reações influenciam ou revelam a sua postura com a vida em geral. O sujeito aqui não é um atleta, não dispensa a gordurinha da carne e é constantemente encontrado com um copinho de cachaça em uma mão e um palheiro na outra. Não comecei a escalar desde criança, sofro lesões como qualquer mortal e estou longe do fanatismo de quem respira escalada 24hs. Cada um tem o seu approach, mas todos podem viver experiências riquíssimas como esta!

Medusa (parte 1)
Medusa (parte 2)
Medusa (parte 3)
Medusa (parte 4)

Ah, o Taka mandou a primeira repetição do Golpe Baixo! Trata-se de um provável V10 curto e grosso, já tentado por monstrengos como Ferragut, Belê e Babaleia, entre outros. Ele fez umas fotos bacanas comigo ali e no 45 graus ao lado, a face mais futurista do setor. Serve de prova que eu realmente estava gastando munição à esmo neste dia! :-)

Golpe Baixo Projeto/45

ps: vídeos em breve!

Uma resposta

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  1. Daniel Lustoza said, on setembro 5, 2013 at 5:37 pm

    Iraaaaado Claudão!!! Parabéns cara, muito bom mesmo!!!


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